domingo, 19 de junho de 2016

El vestido de mi madre I

A ideia era fazer um ensaio usando o vestido de noiva da minha mãe, objeto de desejo (obsessão saudável haha), desde quando eu era criança. Seria em outubro de 2015, período este que veio acompanhado por uma crise existencial "asquerosa"; o retorno de Saturno; os 30 dobrando a esquina; a volta das jujubas roxas congelantes; eu, decidindo ainda o que seria de tudo, pois nem tudo estava bom. 
Casar?! Um sonho de menina, uma fantasia respaldada por novelas, contos, filmes e minha "essência" romântica e sentimental que mais me confundia do que me direcionava. Aliás, de que servem essas fantasias, senão para nos fazerem perder de nós mesmas? Se bem que, às vezes, é bom "perder-se para se encontrar". No caso, foi o que houve comigo. E o ensaio não aconteceu, mas muitas outras coisas aconteceram. 


Estamos em junho de 2016, eu com meus 30 anos e 2 meses. Ah! Agora também conto meus dias em semanas: 34 semanas e 3 dias de um pequeno ser de luz crescendo dentro de mim. Trinta e quatro semanas de redescobertas, de choros, de ressignificações, de 27373727 sensações novas... 
Junho de 2016 e estou grávida. Não, não me casei. Estarei me casando hoje, comigo mesma, seguindo a ideia inicial do que seria o ensaio de outrora. Na tarde deste domingo farei as fotos com o vestido que a minha mãe usou no seu casamento, grávida de 4 meses, de um menino também. 
Na madrugada de ontem tivemos uma briga, eu e ela. Agora que vou ser mãe, tento entender ao máximo as "neuras" dela e, junto com minha irmã, ajudar a extirpá-las pela manutenção da sua própria sanidade. As pressões que a gente sofre por ser mulher, a busca pela perfeição em todos os âmbitos, o ter que cuidar e se cuidar... Admiro-a muito por ter conseguido, por ainda conseguir e por, além de tudo, fazer o possível pra manter a serenidade.
"Não deve ter sido fácil, hein, mãe?" - eu disse a ela. Ela também me pediu desculpas por coisas que não precisava ter dito e nos abraçamos. Parece que quando você se solidariza e honra uma força ancestral sua, você passa a enxergar de forma mais leve. Aquele abraço e o pedido de desculpas foram como uma bênção, de mãe para filha, no dia do casamento. E ali eu senti que o momento havia chegado e que, talvez, não tivesse feito tanto sentido fazer aquelas fotos, senão agora. 
Hoje é o dia do registro fotográfico de um momento de auto-comunhão, autoaceitação. Mesmo que nem tudo tenha acontecido como eu esperava, ao longo desses últimos meses, hoje vejo que meu maior compromisso é comigo mesma e, claro, com este pequeno ser de luz que aqui floresce.
Amar-me-ei e respeitar-me-ei, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Até que a morte (ou a vida?) me/nos separe. 
"Mas e se você encontrar alguém com quem queira compartilhar a vida?"
Aí a gente tenta e, quem sabe, não me caso pela segunda vez? Que venha leve e saudável. Assim seja.


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Libertando os mamilos

Jamais conseguiria me lembrar, de maneira exata, quando comecei a ter receio de mostrar os "seios" em público. Não tenho certeza se entre 6 e 7 anos ou se especificamente com 9, quando estava brincando de X-MEN e notei que havia uma saliência despontando do lado direito. Adivinhem quem eu era? A Tempestade entrando na puberdade.
Queria mostrar pra Deus e o mundo aquela protuberância que estava ali, ganhando vida, tomando forma. Contei pra minha mãe e ela me explicou que meu tecido mamário estava começando a se desenvolver e que tudo o que estava acontecendo era normal. À época, tinha algumas amigas que já estavam com os seios em formação. Umas tinham até um pouco de vergonha de tomar banho na frente das outras meninas, e de trocar de roupa também. Percebia que outras até andavam um pouco curvadas pra não chamar atenção. Eu olhava admirada (seios sempre me fascinaram), mas só pude fazer mais parte desse mundo após vivenciar esse período e compartilhar minha história com elas.
Eu, particularmente, não tinha vergonha de expor os "peitinhos" na frente de outras meninas, mas e na frente de meninos? Começavam aí as inquietações psicológicas e, logo mais, os incômodos físicos. Seios crescendo são algo bem desconfortante, ainda mais quando se está acostumada a se jogar de bruços na cama. Aproximar a mesa da escola e, sem querer, encostá-la nos "mini seios" ao afastá-la pra mais perto, boladas de "queimada" ou até interceptações comuns de algum arremesso leve são alguns dos exemplos de situações dolorosas que uma garota enfrenta ao entrar na puberdade - sob o risco de perda total. Caso a bolada fosse muito forte, era preciso conferir se a "pedrinha" ainda estava lá. Assim nos orientavam as mais experientes.
Desconfortos à parte, era estranho pensar que, a partir de agora, eu não poderia mais ir à praia ou à piscina sem a parte de cima do biquíni. Não posso afirmar que foi algo imposto por uma pessoa específica, mas, sem dúvida, o que as pessoas mais próximas me diziam, influenciaram na construção do meu constrangimento. E, claro, seios femininos possuem toda uma carga de sexualização e tabu, perpetuada ao longo da nossa história.
Entretanto, anos mais tarde, tais imposições me fariam descobrir três grandes prazeres da vida: 
  1. Tirar o sutiã ao chegar em casa;
  2. Usar blusa sem sutiã por baixo;
  3. Fazer topless na praia (ainda que um topless bem tímido...). 
Eis a minha primeira vez:

Era uma manhã de início de setembro e eu estava passando férias com minha prima-irmã em Cartagena, Colômbia. Procurávamos uma praia mais afastada da cidade, de areia clara e água cristalina. Andamos alguns minutos pela areia da praia de Castillo Grande, onde o táxi nos havia deixado, olhamos um pouco adiante e vimos uma faixa de areia do outro lado. Após uma travessia de 15 minutos de barco com dois barqueiros locais, chegamos à praia de Punta Arena. Areia clara, água cristalina, porém não muito limpa e barracas aconchegantes. Após combinarmos o horário da volta com o nosso barqueiro, tiramos fotos e nos jogamos na água. Mais tarde, pedimos o almoço e nos acomodamos, tomando um suco e compartilhando nossas aventuras em terras colombianas, muito parecidas com as brasileiras, com uma dupla de meninos de Niterói, que conhecemos ali. 
Após acordar de uma soneca revigorante, em uma tarde quente, na praia movimentada, avistei o que parecia ser uma mulher de óculos, morena clara, deitada na areia somente com a parte de baixo do biquíni. Tive que olhar várias vezes antes de ter certeza se realmente era uma mulher, pois ela estava de bruços. Minutos depois, ela virou de barriga pra cima e eu pude ver que se tratava, sim, de uma mulher fazendo topless. Ela permaneceu um bom tempo naquela posição e depois foi ao mar se refrescar, como se não houvesse amanhã. E repetiu esse mesmo ritual várias e várias vezes. Eu não conseguia parar de olhar. Contemplava e sentia um misto de admiração e inveja. Eu sempre quis fazer aquilo. 
Prontifiquei-me a me permitir, mas hesitei várias vezes. Fiz que ia, mas não fui. Olhava para minha prima, que me encorajava com sinais de aprovação, mas que disse que não se aventuraria. Continuei sentada. Levantei, fui ao mar. Sentei novamente, até que criei coragem. Estendi minha canga na areia, deitei de bruços, tirei a parte de cima, como se fosse apenas pegar um sol nas costas para não ficar marca. Após alguns vários minutos (pensando que segundos depois de virar, seria presa por atentado ao pudor e sairia dali, algemada/esculachada), virei. Deixei a parte de cima de lado, bem perto, caso precisasse sair dali correndo. Senti um misto de excitação, medo e liberdade incomuns. Senti-me uma transgressora, uma criminosa, uma contraventora das mais perigosas, pois estava de peito aberto, literalmente, deixando a minha pele absorver aquele sol de meio de tarde. Ao menos estava com o chapéu na cara, o que protegeria meu rosto do sol e de algum possível registro fotográfico de alguém que se atrevesse a fazê-lo.  
Foram vinte minutos de mamilos ao ar livre com pessoas por perto, que inclusive não me olhavam com olhar de reprovação ou que, simplesmente, nem me olhavam. Vinte minutos que resgataram reflexões de anos e que me fizeram sentir mais aliviada e natural.
Tirei o chapéu do rosto e sentei, por um instante, sob o olhar de cumplicidade da mulher que, mesmo inconscientemente, me incentivou a, naquele momento, me despir de culpa, de medo e de vaidade.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Entre a cadeira e a máquina?

- Que droga de máquina! Não funciona! Toda hora a linha sai, a agulha quebra!
- Será que o problema está na máquina mesmo? Ou entre a máquina e a cadeira?

Numa aula de costura, esta é uma situação comum, corriqueira. Na maioria das vezes, o problema não está na máquina, mas no modo como a pessoa manuseia o tecido, coloca a agulha. Muitas vezes a linha não está bem passada e a pessoa está muito ansiosa por ter um prazo curto para entregar uma peça. Já presenciei esta cena com o diálogo acima, um bocado de vezes. Acredito que, em algum momento, eu tenha sido protagonista de uma delas haha Acontece! 
Quantos de nós já não se descabelaram, tentando finalizar um trabalho, uma peça de roupa, porém não dispúnhamos de serenidade naquele instante? Quantos de nós já não descontaram toda (ou quase toda) a frustração e raiva, neste conjunto de mecanismos. Quantos de nós já não descontaram raiva e frustração em pessoas? Agimos assim com as pessoas com as quais convivemos ou até com pessoas que nem conhecemos, no trânsito, no supermercado. Descontamos nossa frustração por não termos conseguido algo, sem parar pra pensar que, às vezes, a culpa pode ser nossa, por não termos nos esforçado o suficiente, por termos depositado muita esperança em algo ou em alguém, ou por, simplesmente, não termos o hábito de refletir sobre as nossas atitudes. Às vezes, o problema está na nossa visão sobre a vida. Não é regra, pois, às vezes, a máquina pode estar com um problema real, as pessoas podem estar equivocadas. O interessante seria olhar pra nós mesmos e, antes de atribuir a culpa a outrem, avaliar o nosso estado emocional e a nossa barrinha de serenidade, pra não sair metralhando xingamentos e quebrando tudo.
E aí? Será que o problema está sempre nas outras pessoas, nas coisas? Ou em nós mesmos, na forma como enxergamos as situações e em como reagimos a elas? Será que o problema está na máquina? Ou entre a máquina e a cadeira?

sexta-feira, 20 de março de 2015

Volto a citar aqui, o livro "Chega de desperdício", de John Naish. No capítulo 3, o autor nos convida a fazer alguns autoquestionamentos, que nos ajudarão a pensar antes de comprar um item.

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Tenha suficiente

Não compre essa coisa (até ter feito esses nove grupos de perguntas)


  • Preciso disto? Eu verdadeiramente, realmente, preciso disto, ou somente o quero?

  • Meu desejo por esta coisa foi implantado por técnicas de marketing?

  • Quero isto porque quero estar mais em forma, ser mais esperto, mais livre ou apenas mais legal? Se assim for, este item de consumo realmente fará este milagre?

  • Há qualquer outra maneira de conseguir meu objetivo sem acrescentar mais coisas?

  • Quantas horas a mais vou ter de trabalhar para pagar por isto? Que outra coisa eu poderia fazer com esse tempo de trabalho que me traria maior realização que este item de consumo?

  • Não há algo que eu já tenha que poderia substituir isto?

  • Eu quero mesmo ter de espanar, lavar a seco, pagar para fazer manutenção ou manter esta coisa de qualquer outra maneira?

  • Caso eu esteja substituindo alguma coisa que já tenho, qual é o problema do item velho?

  • Caso eu realmente necessite desta coisa, não há alguma maneira de eu consegui-la num site de troca, ou pegar emprestada com um amigo, vizinho ou parente?
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Questione-se!!

quarta-feira, 18 de março de 2015

Mission failed?

Há alguns anos, mais especificamente 3 anos atrás, me propus a ficar um ano sem comprar roupas e outros artigos de moda. Consegui me segurar alguns meses e depois sucumbi HAHA. Ano passado, inclusive, escrevi um post aqui sobre ter falhado nessa missão. Fui refletindo acerca do tema e percebi que deveria rever minhas motivações.
Em uma das minhas idas a uma loja de departamento, encontrei um livro chamado "Chega de desperdício", de John Naish. A linguagem do livro é muito boa e, logo no início, o autor fala sobre a nossa mania de estocar objetos e explica que nosso cérebro se desenvolveu para sempre querer mais, o que justifica a nossa "ilusão de escassez". Achamos que, por mais que tenhamos várias coisas, precisamos de mais e mais. Na década de 40, um período de real escassez por conta das guerras, o costume de armazenar objetos era perfeitamente justificável. Mas e hoje? Precisamos de tanto assim? Muitos de nós não para pra se questionar. E assim vamos comprando e estocando coisas que não nos servem. Trabalhamos pra ganhar nosso dinheiro e o gastamos em momentos de pura tensão, a fim de aliviar nossas frustrações. 
Criei o hábito de me observar mais, observar o que me motivava a comprar, passei a me questionar e observar meus impulsos. Percebi que na TPM eu me sentia muito mais impelida a comprar para amenizar a ansiedade que eu sentia nesses períodos. 
Com isso, passei a ficar mais atenta a minhas inclinações consumistas e fui despertando minha mente para a busca de um equilíbrio. Passei a pensar mil vezes antes de comprar algo, fazer perguntas mentais sobre a necessidade de comprar. Fui tentando descobrir métodos que me fariam enxergar que, de fato, não havia escassez, mas a falta de otimização daquilo que eu já tinha. Pensei em tirar fotos de todas as coisas que eu tenho para ter um registro do meu acervo. E não é que isso facilita muito mesmo? Comecei pelas caixas de tecidos, batons, sapatos e criei, junto com uma amiga, desafios no instagram, convidando outras pessoas a fazerem o mesmo. Não compro roupa desde Dezembro e a última maquiagem que comprei foi em Janeiro, em uma loja específica de produtos antialérgicos, pois comecei a ter alergia a produtos de algumas marcas. Também não compro sapatos desde Novembro. 
Acredito que a principal motivação tenha sido a vontade de economizar, a expansão da consciência ambiental e a preocupação em estudar os impactos ambientais e psicológicos consequentes do consumismo desenfreado. O importante é ir descobrindo predisposições e não negá-las ou recriminá-las, e reconhecer que estamos a todo instante passando por momentos adversos e sendo bombardeados por publicidade e disseminação de tendências, mas não precisamos ceder sempre.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Roupa nova, vida nova?

Amanhã tem virada de ano, e todos nós já estamos preparadíssimos para ouvir e proferir os clichês mais clichezentos do universo, tão característicos desta época do ano. 

"Ano novo, vida nova!"

Tudo novo! A gente estende e tenta encaixá-lo em todos os âmbitos: cabelo novo, amor novo, louça nova, calcinha nova, roupa nova... Roupa nova! 
Mas qual a origem desta regra, que diz que é indispensável comprar uma roupa nova para passar bem a virada de ano, e que é preciso usar uma calcinha ou cueca com uma cor que signifique um desejo para o ano seguinte? Superstição? Tradição? Falta de reflexão? Tudo ao mesmo tempo? É claro que cada país tem sua cultura, mas acho que, na maioria das vezes, o costume de comprar uma roupa nova vem dos pais, seja por motivos religiosos ou não. Ao menos foi o que aconteceu comigo, até certa idade: roupa nova para o Natal e para o Ano-novo, porque sim. Depois veio a adolescência, e eu me lembro do dia em que resolvi usar o meu vestido preto favorito, no Réveillon. Era um vestido velho, mas muito confortável e eu não tinha como intenção, ainda, quebrar paradigmas ou desconstruir conceitos, eu só queria me sentir confortável, bonita e jovem. Era virada de 2000 pra 2001, minha mãe (maravilhosa) surtou, é claro, disse que eu não teria um ano bom, se eu passasse de preto, que isso não era certo. Entretanto, tive um ótimo ano, a não ser pelas complicações inerentes à minha mente adolescente e por ter ficado de recuperação, pela primeira vez. Culpa do vestido preto e velho? Hahaha Claro que não! Culpa minha, porque eu ficava assistindo clipe a tarde inteira e deixava pra estudar na última hora. 
Saiu ano, entrou ano, em alguns momentos usei roupa velha, de novo, outras vezes cedi à superstição, usei calcinha rosa, usei a mesma calça 3 anos seguidos. Há algumas semanas, comecei a notar os anúncios nas lojas virtuais, nas vitrines dos shoppings, na tentativa de fazer você acreditar que, se você passar a virada de roupa nova, seu ano será melhor. Já me rendi a esta estratégia algumas vezes também. 
Estejamos atentos!
Roupa nova, calcinha nova (preparem-se pra mais um clichê), nada disso vai renovar sua vida, se você não renovar sua mente, sua percepção, seus conceitos. Touché!
E já decidi que roupa vou usar no dia 31: blusa preta (minha mãe não liga mais pra essas coisas e usa o mesmo vestido desde 2009, se eu usar preto, tudo bem), saia rosa, um sapato qualquer. Tudo velho! Significado? Nenhum, só gosto. Quanto à calcinha, havia comprado umas novas e separei uma branca para a noite de amanhã. Muita paz! Porém, me invade a mente mais uma frase clichê, mas que faz muito sentido (você achou que estaria livre dele por agora, não é?), e que diz "a paz é a gente que faz". 
E se eu passar a virada sem calcinha? Perereca arejada o ano inteiro. Será? Uhuuul!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Reformulação

Avisto novos rumos no trabalho como técnica em laboratório de vestuário. Sou muito grata por ter encontrado um cargo na área pública, que tem atribuições mais próximas àquilo que vi na faculdade. Aproveito esta nova fase para reformular, a partir de agora, minha profissão e lanço-me como consultora em referências e ciências do efêmero. Tcharam!! Muitas pessoas já me disseram que seria interessante eu trabalhar como consultora de moda, de estilo, personal stylist, mas eu não quero ser exatamente nenhuma das anteriormente citadas, portanto, criei esta nova definição para ajudar pessoas que estiverem interessadas a se vestirem de acordo com o próprio estilo, sem necessariamente seguir tendências e afins. Achou interessante? Fale comigo! <3

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Referências: domingo ela não vai

Eu já quis ser muitas coisas na vida. Já quis ser dentista, ginasta, dançarina, desenhista, cantora, astronauta, stripper, decoradora de banheiros, professora, dona de casa, estilista, freira, homem. E o que sou hoje? Tudo isso, menos freira, e ginasta também, porque aí seria querer muito, não é verdade? hahaha A verdade é que eu tive muitas influências/referências e sempre fui muito influenciável, tanto de forma negativa quanto positiva, e todas as minhas possíveis escolhas de vida tinham a ver com algum filme que eu vi, alguma música, alguém que eu admirava. Legal! Vamos ao que interessa! Já ouviram a frase que diz que "nada se cria, tudo se copia, né? Eu a escutava muito quando fazia faculdade de moda, porque era muito difícil criar algo totalmente novo. Lembro-me de ter feito um desenho aos 12 anos, que eu achava que era totalmente inédito, e anos depois vi uma produção quase idêntica num desfile da Versace. Doidice! 
Mamãe foi a minha primeira referência suprema no quesito vestimenta. Eu desejei e pedi que ela guardasse tudo (roupas, sapatos e afins) pra mim, inclusive o vestido de noiva, pra eu usar quando crescesse. Ela guardou uma calça. Uma calça! Haha E desde então, a maioria das roupas que eu compro, têm algo a ver com as roupas que minha mãe usava, e, claro, com as que minha prima Kelly usava enquanto morou lá em casa com a gente. Linda!! Mais que uma prima! Não posso me esquecer da Xuxa, claro, rainha da minha infância, e todas as outras que vieram ao longo da minha vida. Sem dúvida, todas essas referências e a minha jornada de autoconhecimento contribuíram para a construção do meu estilo, e para a consequente aceitação e libertação das minhas particularidades.
Estilo! Um conjunto de referências expressando unicidade! Poder usar o que você quiser, independente de estar em voga ou não. Você não PRECISA comprar uma peça florida, uma calça flare, uma peça que tenha a ver com a tendência "boho" ou "gipsy" só porque o mundo inteiro está usando. Você não precisa esperar a estação chegar, a tendência eclodir, a loja lançar pra poder usar aquilo que te agrada, que te faz tão você.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mission Failed


Bom, já faz 2 anos e algo que eu me propus a não comprar mais roupas, acessórios e afins, a fim de otimizar o uso das peças que já possuo. Eis que, se não me engano, 4 meses depois da oficialização do propósito, eu me rendi aos encantos de um cachecol, depois de um par de botas, e assim fui me perdendo e me corrompendo novamente, Acabei sendo seduzida por produtos que eram a "minha cara", e entre sucessivas TPMs de lascar fui me aliviando como podia, comprando. É claro que algumas aquisições não foram total fruto de compulsão, algumas realmente foram adquiridas para suprir uma necessidade ou substituir outro item velho, rasgado, estragado ou muito "chulezento".
Porém, reconheço que fracassei, me senti como num jogo (tipo GTA), quando você se empenha em cumprir uma missão, mas algo dá errado, você vacila, e perde. Portanto, venho por meio deste registro de fracasso, dizer que pretendo me empenhar novamente a cumprir o mesmo propósito, outrora exposto. Preciso apenas amadurecer algumas ideias pra poder voltar a por em prática a missão. Carregando...

Resiliência

Este termo me foi apresentado pela primeira vez no curso de tecnologia em produtos da moda, na aula de materiais têxteis. A resiliência é uma das várias propriedades das fibras têxteis, e é definida como a capacidade que a fibra tem de voltar a seu estado anterior ao ser submetida a determinada força. Fibras que têm baixa resiliência são fibras que amassam com facilidade, como, por exemplo, o linho. O oposto ocorre com fibras de alta resiliência, como a poliamida.
Deparei-me novamente com o termo, não faz muito tempo, em um livro de autoajuda, aplicado também como conceito psicológico. O conceito, emprestado da física, tem a ver com a capacidade de uma pessoa em superar adversidades. Uma pessoa resiliente é uma pessoa que lida bem com pressões e que não se deixa abater com facilidade, já pessoas "não-resilientes" (não sei se se define assim) não tem a mesma habilidade. 
Mas diferentemente das fibras, uma pessoa pode se "tornar" resiliente, e ainda aumentar o seu grau de resiliência. Mas como? Autoajuda? Talvez. Você sendo seu próprio guia, se questionando, e convivendo com pessoas que te ajudam a entender e superar suas limitações interiores a respeito daquilo que te impede de evoluir. Então você pode se descobrir linho, mas escolher ser poliamida, talvez. Por que não? Será?
Fibras de poliéster têm boa resiliência, porém inferior à da poliamida.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Não só de flores vive a primavera

Setembro, mês da primavera (pelo menos aqui no hemisfério sul)... Mal posso ver quase todas as marcas tentando empurrar, através de suas propagandas, a ideia de que você precisa usar estampas de flores nesta época do ano. Coleções da estação das flores, invadindo a sua caixa de entrada com aquela newsletter que você assinou pra receber novidades todo mês. É claro que essa inclinação parece ocorrer meio que inconscientemente, principalmente no caso das meninas, mas isso não quer dizer que você deve usar roupas floridas, se você não gosta. Parece bobo isso, mas se você prestar atenção quando conversa com alguém sobre estilo, roupas e afins, você acaba ouvindo um: "Nossa! Você viu aquele óculos que estão usando muito agora?! Preciso de um!". Será que precisa mesmo? Se a necessidade não existe, nós a criamos! Não só quando se trata de tendências, claro. Inventamos uma bela frase que acompanhe o nosso relato de imprescindibilidade.

Percebo que muita gente não compra algo porque gosta, porque se sente bem usando, mas porque é tendência, porque está nas revistas, na novela, nos blogs. e acaba não respeitando seu próprio estilo e suas particularidades. Não é questão de ser certo ou errado, mas mais saudável e consciente. Eu, por exemplo, achei linda a cor do esmalte da Giovanna Antonelli, o azul que ela usou na última novela, e comprei. Adoro azul! Tem a ver com o que eu gosto de usar. Alguns devem ter comprado pra não ficar de fora da tendência, outros por outro motivo. Concordo que é difícil resistir às chamadas apelativas do tipo: "O sapato que toda mulher deve ter", "As peças-coringa que toda mulher deve ter no guarda-roupa", e tantas outras, maaaaas a gente sabe que isso é propaganda, e que a função dela é promover ideias pra poder vender mais. A gente sabe que não precisa de tudo isso. Conhecendo a si mesma(o) e seus gostos você descobre seu estilo, então não precisará pular de tendência em tendência. Aprecie as cores da estação, vista-se de flor! Ou não.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Estampando

Cara, tava assistindo Friends ontem. Não assisti o começo do episódio, mas é um em que é quase Natal, a Monica comprou presentes, deixou-os guardados, só que a Rachel e a Phoebe estão super curiosas pra saber o que vão ganhar. Elas aproveitam uma noite em que a Monica não está, reviram o apartamento, pedem a ajuda de Chandler, até que Rachel os encontra. Monica chega bem na hora em que eles vão abrir os pacotes e... tive que ir ao banheiro, não sei como acabou hahahaha 
Mas sei que me fez lembrar da minha infância, de quando era época de Natal, e eu e meus irmãos íamos até o armário dos meus pais, quando eles não estavam em casa, pra olhar o que eles tinham comprado. Foram muitos "Natais" fazendo isso. Mas isso só nas vezes em que não sabíamos alguns meses antes o que iríamos ganhar: 
"Então, crianças, o Natal tá chegando, o que vocês acham de ganhar uma coleção de enciclopédias da Delta Universal?" Pura diversão!! Nós adoraaaaávamos também!! Mas eu tinha um jogo, que era meu xodó com 8, 9 anos, chamado Serigrafia, um que tinha um cavalo na capa, vinha com vários stencils, muito legal! Sempre gostei de desenhar, de pintar e meus pais sempre nos incentivaram a fazer o que a gente gostava. Não sei se ainda existe o jogo, mas sei que foi muito bom pra desenvolver habilidades e exercitar a criatividade :D 
Lembro-me que com 12, 13 anos, quando estava começando a curtir um rock e ficar radical, comecei a procurar estampas diferentes para customizar minhas camisetas pra ficarem mais descoladas. Isso me levou a digitar todos os caracteres no Word, selecionar a fonte Wingdings (não havia essa facilidade de internet, de google, de youtube que existe hoje http://tinyurl.com/44ghpm7), e Tcharam!!!

 N = N 

Sim, uma caveira! Fui perspicaz, eu sei!! A caveira, pintei numa blusa preta babylook com tinta roxa da marca "gato preto". Em seguida, procurei outro símbolo interessante e achei o OM:

\ =\

Eu não fazia ideia do que significava, achava bonito, e isso foi na época em que Nova Era era palavrão. Alguém se lembra disso? Tinha gente que me olhava torto na rua. Legal! Pintei de roxo também, numa blusinha preta. Bacana! Descoladíssima! Biografias à parte, venho por meio deste, trazer mais ideias de estampas para você também desenvolver habilidades manuais e exercitar sua criatividade!!



Unicórnio 
Imagem original com She-ra. Utilizei somente a silhueta de Spirit/Ventania. Eu só queria o unicórnio. 





Eu






Filme

Elvira, a rainha das trevas


David Bowie em "Labirinto, a magia do tempo"



















Guitarra

Achados da internet

















Cachorro

Outro achado
















Vida vai, vida vem, continue acompanhando (ou não) esta trajetória emocionante, estampando pelo mundo afora.





segunda-feira, 7 de abril de 2014

"(...)
A evolução não projetou o cérebro humano para entender a si mesmo com precisão, mas para nos ajudar a sobreviver. Observamos a nós mesmos e ao mundo e entendemos as coisas apenas o bastante para seguir em frente. Alguns de nós, interessados em nos conhecer com mais profundidade - talvez para tomar decisões melhores na vida, talvez para ter uma vida mais rica, talvez por curiosidade -, procuram ultrapassar nossas ideias intuitivas acerca de nós mesmos. É possível. É possível usar a mente consciente para estudar, identificar e penetrar nossas ilusões cognitivas. Ao ampliar nossas perspectivas para levar em conta como nossa mente funciona, podemos chegar a uma visão mais esclarecida de quem somos. Todavia, mesmo enquanto ganhamos um maior entendimento sobre nós mesmos, devemos manter nosso reconhecimento do fato de que, se a visão natural do mundo da nossa mente é distorcida, existe uma razão para isso.
     Um dia, durante uma viagem que fiz a São Francisco, entrei numa loja de antiguidades com a intenção de comprar um lindo vaso que vi na vitrine e estava em oferta, com o preço reduzido de US$ 100 para US$50. Saí de lá levando um tapete persa de US$ 2.500. Para ser exato, não sei ao certo se era um tapete persa de US$ 2.500; só sei que eu tinha pagado US$ 2.500 por ele. Eu não queria comprar um tapete, não planejava gastar US$ 2.500 dólares numa lembrança de São Francisco, nem pretendia levar para casa nada maior que uma caixa de sapatos.
     Não sei por que fiz aquilo, e nenhuma das introspecções que realizei nos dias subsequentes explicou alguma coisa. mas existem normas sociais até a respeito de comprar tapetes persas como um capricho de férias. O que sei é que gosto do jeito como o tapete combinou com a minha sala de jantar. Gosto porque faz a sala parecer mais aconchegante, e as cores combinam bem com a mesa e as paredes. Ou será que na verdade faz a sala parecer um salão de café da manhã num hotel barato? Talvez a verdadeira razão de eu gostar do tapete seja que não me sinto confortável pensando que gastei US$ 2.500 dólares num tapete feio para estender sobre meu lindo assoalho de madeira. Essa percepção não me aborrece; ela me faz apreciar melhor meu parceiro invisível, meu inconsciente, sempre fornecendo o apoio de que preciso para ir levando a vida aos trancos e barrancos."

(Trecho de Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas, de Leonard Mlodinow)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Por quê? Por quê? Por quê?

- Olá, posso ajudar?
- Sim, eu queria um top pra malhar. 
- P ou M?
- Vou provar os dois.
.............................................................
- Ficou bom? Sim, vou levar o M.
- Só isso? Quer dar uma olhada nas meias pra usar com legging curta?
- Não, obrigada. Prefiro aquela fuseau que não mostra a meia.
- Tem certeza? "Tá usando" muito agora!

Pilar left the conversation...

Uma das frases que eu menos gosto de ouvir quando vou a uma loja de roupas é: "Leva essa, 'tá usando' muito!!" Já olho para a peça de roupa com desdém, olho para a vendedora, dou um sorriso pesaroso e saio da loja com todos os meus devaneios e dúvidas existencialistas. Sei que é o trabalho delas, que elas têm que tentar empurrar o maior número de peças que puderem, pois dependem de comissões e trabalhar como vendedor deve ser muito cansativo. Mas a questão aqui não é se isso é errado, ruim, bom, pois vendedores às vezes dizem isso inconscientemente. O negócio é quando uma pessoa qualquer no mundo reproduz o comportamento da vendedora. Sim! Isso é um problema! 
"Então quer dizer que ninguém mais no mundo, só vendedores podem usar essa frase?"  
"Não! Talvez! Sim! Quem sabe? Será?"

O problema não é a frase em si, mas o que ela induz as pessoas a fazerem. Compramos coisas sem necessidade o tempo todo, embriagados pelas publicidades, revista de beleza, moda e a "caralhice" toda. 

"Então os problemas são a publicidade, as revistas de beleza e de moda?"
"De certa forma, sim. Mas nunca serão um grande problema se você utilizar o seu filtro de 'caralhices'."

Não sou contra a publicidade, revistas de beleza e moda, inclusive tinha várias Vogues e Elles em casa. Acho que tudo isso faz parte do sistema, ajuda a movimentar a economia, emprega pessoas, alimenta bocas. Isso é legal! Só não é legal quando nos tornamos escravos dessa publicidade. Gritam as propagandas: "Tendência! Tendência! Tendência!", numa tentativa inconsciente, talvez consciente, de hipnotizar mais ainda os seres de luz desse mundo. E nós cegos, sem saber porque desejamos, mas desejando o desejo de desejar. E mais, mais, mais...

Devemos realmente dar tanta importância a tudo isso? Devo desbravar montes a fim de obter um produto que vai me dar uma sensação momentânea de que eu estou com a maioria? E o que há de tão interessante em estar igual a maioria se o bacana é a diversidade? A beleza não estaria em acentuar peculiaridades para que deixemos o mundo mais colorido?

Questione-se antes de comprar algo:
  • pergunte-se se está comprando porque gosta, porque se identifica ou se é porque está se usando muito e você não quer ficar de fora. O problema de comprar algo que está em voga é que pode ser que você use uma vez e the end;
  • construa um estilo que seja compatível com seu estilo de vida. Muitas vezes compramos coisas que sabemos que nunca iremos usar;
  • valorize o seu tipo de corpo, mas também não deixe de usar uma peça de que você gosta muito porque, teoricamente, não se adequa ao seu biotipo. 
A ideia aqui não é ir contra tudo e contra todos, mas consumir de forma consciente, questionar o que e por que consumimos para não engolirmos tudo o que tentarem nos enfiar goela abaixo, não só em questão de consumo, mas em tudo na vida.

E quanto às meias por cima das leggings curtas, acho horripilantes! Prefiro polainas. Maaas, gosto é gosto.


quinta-feira, 22 de março de 2012

Bom estar contigo na televisão: figurinos da minha vida I

Este é o primeiro de vários posts sobre figurinos de filmes que marcaram a minha vida. Confesso que a minha fascinação por figurinos começou quando eu ainda era criança e gostava da XUXA. Sim! Achava lindos e super futuristas os figurinos que ela usava nos programas. Aqueles shorts curtinhos com botas de cano alto, blusas com ombreiras em tecidos brilhantes e muito coloridas e as "xuxinhas" (prendedores de cabelos) que, imagino eu, passaram a ser chamadas assim por causa dela.


Tentei achar uma foto para ilustrar o alvo da minha primeira tentativa de reproduzir um figurino e a única que achei foi esta. É a roupa que Maria da Graça usa em sua apresentação final cantando Lua de Cristal. Minha mãe me contou e eu me lembro vagamente de pegar pedaços grandes de papel higiênico e colocar nas alças de um vestido para parecer o vestido esvoaçante cheio de tiras que ela usava no filme.

Lua de Cristal (1990)


Outro filme da Xuxa que também me atraía pelo figurino, além da graça que tinha por ser um filme com Mussum, Zacarias, Dedé e Didi era A Princesa Xuxa e Os Trapalhões, de 1989. Por ser uma estória que se passa em um planeta fictício, Antar, percebe-se que os figurinistas tiveram certa liberdade para criar, a partir da ideia de como seria viver em um planeta como este. Talvez tenham até se inspirado em outros filmes como A História sem Fim I e II e Labirinto, a magia do tempo, filmes um pouco mais antigos que os da Xuxa, mas que aos quais só tive acesso alguns anos depois. 
Xuxa, como princesa Xeron.

É perceptível o uso de elementos visuais baseados nas roupas de séculos passados e no universo da fantasia. Aqui tem-se o cetro de princesa, as armações em volta da cabeça que lembram uma coroa e o vestido longo que remete aos da Idade Média.


Esta produção, na minha opnião, é a mais marcante do filme. A gola armada do vestido lembra os rufos renascentistas do séc. XVI. Os brincos e o corpete que marca muito bem o tronco, auxiliam na construção de uma estética vanguardista. 
Gola Rufo, Renascimento. Pintura de Anthonis van Dyck.
 
O próximo é o mais antigo dos três. Nesta estória, Xuxa passa praticamente o filme todo com o mesmo look, em busca de seu cãozinho Xuxo, percorre um labirinto, sobe em galhos de uma árvore, nada com botos e finalmente encontra o vilão que detém seu cachorro. Posso afirmar, por ter visto tanto um quanto outro, que Super Xuxa contra o baixo astral é uma cópia de Labirinto, a magia do tempo. O roteiro segue a mesma linha. Todavia, devo ressaltar aqui os pontos visuais, que são o assunto em questão. Xuxa usa uma diadema que também lembra uma coroa, só que mais discreta e adaptada. A bota branca, o short branco muito curto e de cintura alta e a blusa frente única e com estampa de arco-íris ficavam completos com a jaqueta também branca. Toda vez que eu ia comprar tiaras tentava achar uma igual a esta. 
Em 1991, em uma apresentação de escola, dancei a música-tema deste filme. Eu era uma das crianças que representavam a cor laranja do arco-íris. Usei uma saia alaranjada de pregas e uma camiseta com mangas desta mesma cor e branca no meio. O arco-íris foi confeccionado com lantejoulas e eu também usei uma tiara laranja. Xuxa fez parte da minha infância!
Super Xuxa contra o baixo astral (1988)

Aqui estou eu dançando a música-tema do filme, em 1991.
A intenção aqui não é aprofundar-me na estética de cada filme, mas fazer um apanhado de elementos marcantes que, de certa forma, tiveram certa influência na minha noção de produção visual. E quanto a você? Quais filmes tiveram uma influência marcante no seu modo de ver as cores e o mundo? Aguardem mais posts sobre os filmes e seus respectivos figurinos que marcaram a minha vida. Hasta luego!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Um ano sem comprar roupa: que comecem os jogos!



- Você vai ficar um ano sem comprar roupa?
- Sim.
- Eita! Mas isso inclui sapatos, acessórios e afins?
- Sim.
- Você vai conseguir?
- Espero que sim!

Quando me propus a ficar sem comprar roupa por um ano eu não achei que seria fácil, é claro. Mas em uma semana de "promessa" eu ainda não tinha sentido na pele a tentação de querer algo e não poder comprar. Algo que pode acontecer em vários momentos como, por exemplo, quando não se tem dinheiro. No meu caso, eu tinha dinheiro, mas tive que parar para pensar mil vezes. Antes de qualquer coisa, eu tinha feito uma “promessa”. O segundo pensamento era se eu realmente precisava daquela peça de roupa e em que ocasião iria usá-la. 
E pra começar o teste: ZARA. Na realidade não foi teste, pois minha irmã estava precisando de blusas e resolveu entrar lá. A Zara, na minha opinião, tem roupas de muito bom gosto. Eles confeccionam roupas que tem a ver comigo, muito a ver comigo. Ao entrar na loja já me deparei com várias peças que me atraíam. Os terninhos coloridos que são sempre muito caros, mas produzidos em cores lindas e que permeiam a minha imaginação: “Este posso usar com aquele short e a blusa tal”. Depois avistei os casquinhos clássicos em cores inéditas; eu tenho um verde, um vinho e um azul marinho, mas tinha um turquesa lá que estava maravilhoso. Logo, passamos pela parte mais juvenil e eu encontrei vários vestidos e blusas em um tom de verde que é o meu preferido, um verde esmeralda bem escuro. 
Não havia pego nada para experimentar. Admirei, ajudei minha irmã a escolher umas peças, até que ela achou uma peça e disse que era a minha cara. Era uma calça verde militar bem justa com recortes e quatro zíperes frontais dourados, dois de cada lado. Na hora pensei: "Vou provar, mas não vou comprar, é só para ver como fica". Entrei no provador, vesti a calça, tentei achar um mínimo defeito. Saí pra mostrar pra minha irmã, que estava com minha mãe no provador ao lado e falei: "Olha aqui, fiquei sem bunda". As mulheres que estavam por ali transitando pelos provadores me olharam por um instante e disseram: "Sem bunda? Nossa! Essa calça ficou ótima em você. Leva, leva, leva!" 
O que vocês acham que eu fiz? Olhei a calça mais umas 13 vezes e lembrei da “promessa”, pensei se precisava mesmo de uma, sendo que eu já tenho várias, não iguais a essa, mas tenho várias calças e pensei também em que ocasião iria usá-la. Por um momento considerei ignorar a "promessa" e abrir uma exceção, pois levei em conta que realmente não tenho nenhuma calça naquele verde e também visualizei várias ocasiões em que poderia usá-la. Foi aí que fiz a pergunta crucial para a atendente: "Quanto custa?" Ela respondeu: "R$119,00". AHHH! De repente, a mulher tacanha que existe em mim em certos momentos falou mais alto e eu acabei não comprando a tal calça. Fui até a parte masculina acompanhar meu irmão, feliz da vida por ter poupado e por ter respeitado a minha própria decisão. Depois saí da loja, saltitante, abastecida de sacolas de roupas, mas que não eram minhas. Ufa!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Um ano sem comprar roupa


Dando uma olhada em meu armário, percebi que tenho muitas roupas. Algumas não uso há muuuito tempo, pois nem me lembrava de que elas estavam ali. Outras resolvi que não queria mais e parei para me questionar:

"Por que tenho tantas roupas? Por quê?"

Porque eu estou sempre comprando. Claro que não é nada fora do comum, se me comparar a mulheres que fazem compras todo mês. Vejo algo que me agrada, dou um jeito de comprar.
Acontece muito no universo feminino, não só quando se trata de roupa, mas com sapatos também, acessórios, produtos de moda em geral. Toda vez que vamos a um casamento, precisamos de um vestido novo: “Ai, com esse eu não vou de novo, todo mundo já me viu com ele!” Então compramos ou alugamos outro vestido. Vamos à praia, precisamos comprar um biquíni novo, sendo que temos 10 biquínis e usamos 1 ou 2. E bolsas? Temos 20 e usamos, no máximo, duas. Brincos, cintos, meias, sapatos... Sapatos? Muitas mulheres têm mais pares de sapatos do que livros e sempre querem mais. É natural do ser humano e o sistema a que estamos submetidos funciona assim, pois precisamos consumir pra que haja mais produção e o ciclo continua. E blablablá...
Entretanto, além dessa necessidade natural, nos deparamos com a palavra mágica PROMOÇÃO. Ela nos puxa pra dentro da loja e mesmo não precisando, passamos a desejar algo porque está barato e depois muitas vezes nos arrependemos de ter comprado. Na hora de comprar é necessário ter foco. Mas sobre este assunto eu falo em outro momento. 
Ademais, nós mulheres, temos “medo” de sair de casa com a roupa repetida, pois é algo que nós reparamos nas outras pessoas. Os homens adoram repetir roupas e são felizes assim. Por que não podemos?
O fato é que, diante destas constatações, me propus a fazer o seguinte: não comprarei roupa por um ano. Exato! Não gastarei 1 centavo comprando roupa e tentarei usar todas as que tenho. Isso inclui sapatos e objetos de moda em geral. 

E você? Por que não faz o mesmo? Não precisa ser um ano de uma vez. Pode começar com 3 meses, 6 meses... E se alguém vier falar alguma coisa, podemos dizer que ao menos temos dinheiro para nos divertir sem precisar ficar no cheque especial ou sem estar devendo horrores no cartão de crédito. Isso! 

Não pretendo, com este post, fazer parte da onda em defesa do desenvolvimento sustentável que virou tendência nos últimos anos, apesar de eu ser uma amante da natureza e mesmo sabendo que essa iniciativa pode ajudar na preservação do meio ambiente, de certa forma. A ideia é otimizar aquilo que se tem e se for benéfico ao meio ambiente, melhor ainda.

Mas comprar é algo que dá muito prazer! Como resistir? É possível? Veremos!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O que a roupa representa na sua vida?

A princípio, era minha intenção criar um blog sobre estilo para poder compartilhar experiências, expor algumas influências sobre o meu estilo e postar looks produzidos por mim. Hoje, recebi uma mensagem de uma companheira de faculdade que está produzindo um artigo científico para conclusão de sua pós-graduação em Pesquisa de Comportamento e Consumo de Tendência. Ela se chama Talitha e me fez a seguinte pergunta:

- O que a roupa representa na sua vida?

Esse foi o pontapé inicial, o empurrão que eu precisava para postar. Antes de mais nada, devo admitir que eu era uma criança muito apegada a certas roupas que eu tinha, bonecas, jogos, sapatos. Sempre tinha uma roupa que era minha preferida: porque tinha sido presenteada pela minha madrinha; porque meu pai tinha trazido da Europa; porque eu gostava das cores, da estampa, do cheiro. Na marioria das vezes, o que mais me fascinava eram as saias rodadas, no auge da carreira de Beto Barbosa, as roupas colantes, pois eu fazia aulas de jazz e as que tinham sido costuradas pela vizinha, ou pela minha tia, pela minha avó, pela minha mãe. Ahhh, minha mãe tinha roupas, sapatos e cintos que me faziam desejar ser adulta para poder usá-los. Eu dizia: "Mãe, guarda pra quando eu crescer?"
Quando eu era criança, a roupa era para mim um objeto atraente, mais do que uma proteção, mais que uma cobertura. Era um objeto que vinha cheio de valores agregados. "De onde vinha?" "Por que escolheram aquelas cores?" "Ou aquele tecido?" "Por que aquela estampa?" Filmes, novelas, videogames, mulheres próximas a mim, tudo isso influenciava na descoberta e na concretização de um estilo. É claro que eu não entendia muita coisa, mas aquilo estava se formando, algo que passaria a fazer parte da minha vida.

Meu primeiro vestido de festa junina. Gostava muito porque era o primeiro, pela sua estampa e porque tinha sido criado pela vizinha, que era costureira. Ter que acompanhar todo aquele processo de construção, provar várias vezes antes de ficar pronto, vê-la anotando as medidas era muito prazeroso.
Eu gostava desta fantasia porque era para a apresentação de Lua de cristal e eu era fã da Xuxa. Tive que ir a uma loja de tecidos e lembro-me de ter ficado maravilhada vendo vários padrões, lantejoulas e filós de todas as cores. A boa sensação permanece até hoje.

O vestido das ocasiões especiais. A estampa era o que mais me agradava.

Meu pai trouxe esta sai vermelha da Espanha e tinha suspensórios. Adorava suspensórios!
Adorava rosa nessa época e este par de sapatos também.
Sabe aquelas roupas que você gosta tanto que você pede para a sua mãe guardar? Fiquei um bom tempo usando essas duas peças...Papai trouxe da Espanha.
Esse par de sapatos era meu xodó. Guardava sempre na caixinha e ficava torcendo para ter um evento importante e poder usá-lo. Usei pela primeira vez na formatura da pré-escola.
Esse conjunto remetia a algo meio ciganinha, meio Babalú, de Quatro por Quatro.

Na adolescência, quando criava minhas próprias indumentárias, pois não achava algo que me agradasse, passei a refletir mais sobre a criação, o processo inicial e toda a preparação para a produção de uma coleção. Passei a conhecer mais a respeito dos estilistas e da vida deles. Passei a querer ser como eles.
Hoje, a roupa e os objetos de moda em geral, na minha opinião, são uma exteriorização dos nossos desejos e influências, o que não é uma novidade. É como projetar em um objeto a sua carga vital, aquilo que te move, aquilo que te dá prazer. É muito mais do que cobrir a nudez. É cobri-la para que ela volte a ser nudez. 

Visitem também o blog da Talitha: http://talithaoliveira.wordpress.com/