quarta-feira, 18 de março de 2015

Mission failed?

Há alguns anos, mais especificamente 3 anos atrás, me propus a ficar um ano sem comprar roupas e outros artigos de moda. Consegui me segurar alguns meses e depois sucumbi HAHA. Ano passado, inclusive, escrevi um post aqui sobre ter falhado nessa missão. Fui refletindo acerca do tema e percebi que deveria rever minhas motivações.
Em uma das minhas idas a uma loja de departamento, encontrei um livro chamado "Chega de desperdício", de John Naish. A linguagem do livro é muito boa e, logo no início, o autor fala sobre a nossa mania de estocar objetos e explica que nosso cérebro se desenvolveu para sempre querer mais, o que justifica a nossa "ilusão de escassez". Achamos que, por mais que tenhamos várias coisas, precisamos de mais e mais. Na década de 40, um período de real escassez por conta das guerras, o costume de armazenar objetos era perfeitamente justificável. Mas e hoje? Precisamos de tanto assim? Muitos de nós não para pra se questionar. E assim vamos comprando e estocando coisas que não nos servem. Trabalhamos pra ganhar nosso dinheiro e o gastamos em momentos de pura tensão, a fim de aliviar nossas frustrações. 
Criei o hábito de me observar mais, observar o que me motivava a comprar, passei a me questionar e observar meus impulsos. Percebi que na TPM eu me sentia muito mais impelida a comprar para amenizar a ansiedade que eu sentia nesses períodos. 
Com isso, passei a ficar mais atenta a minhas inclinações consumistas e fui despertando minha mente para a busca de um equilíbrio. Passei a pensar mil vezes antes de comprar algo, fazer perguntas mentais sobre a necessidade de comprar. Fui tentando descobrir métodos que me fariam enxergar que, de fato, não havia escassez, mas a falta de otimização daquilo que eu já tinha. Pensei em tirar fotos de todas as coisas que eu tenho para ter um registro do meu acervo. E não é que isso facilita muito mesmo? Comecei pelas caixas de tecidos, batons, sapatos e criei, junto com uma amiga, desafios no instagram, convidando outras pessoas a fazerem o mesmo. Não compro roupa desde Dezembro e a última maquiagem que comprei foi em Janeiro, em uma loja específica de produtos antialérgicos, pois comecei a ter alergia a produtos de algumas marcas. Também não compro sapatos desde Novembro. 
Acredito que a principal motivação tenha sido a vontade de economizar, a expansão da consciência ambiental e a preocupação em estudar os impactos ambientais e psicológicos consequentes do consumismo desenfreado. O importante é ir descobrindo predisposições e não negá-las ou recriminá-las, e reconhecer que estamos a todo instante passando por momentos adversos e sendo bombardeados por publicidade e disseminação de tendências, mas não precisamos ceder sempre.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Roupa nova, vida nova?

Amanhã tem virada de ano, e todos nós já estamos preparadíssimos para ouvir e proferir os clichês mais clichezentos do universo, tão característicos desta época do ano. 

"Ano novo, vida nova!"

Tudo novo! A gente estende e tenta encaixá-lo em todos os âmbitos: cabelo novo, amor novo, louça nova, calcinha nova, roupa nova... Roupa nova! 
Mas qual a origem desta regra, que diz que é indispensável comprar uma roupa nova para passar bem a virada de ano, e que é preciso usar uma calcinha ou cueca com uma cor que signifique um desejo para o ano seguinte? Superstição? Tradição? Falta de reflexão? Tudo ao mesmo tempo? É claro que cada país tem sua cultura, mas acho que, na maioria das vezes, o costume de comprar uma roupa nova vem dos pais, seja por motivos religiosos ou não. Ao menos foi o que aconteceu comigo, até certa idade: roupa nova para o Natal e para o Ano-novo, porque sim. Depois veio a adolescência, e eu me lembro do dia em que resolvi usar o meu vestido preto favorito, no Réveillon. Era um vestido velho, mas muito confortável e eu não tinha como intenção, ainda, quebrar paradigmas ou desconstruir conceitos, eu só queria me sentir confortável, bonita e jovem. Era virada de 2000 pra 2001, minha mãe (maravilhosa) surtou, é claro, disse que eu não teria um ano bom, se eu passasse de preto, que isso não era certo. Entretanto, tive um ótimo ano, a não ser pelas complicações inerentes à minha mente adolescente e por ter ficado de recuperação, pela primeira vez. Culpa do vestido preto e velho? Hahaha Claro que não! Culpa minha, porque eu ficava assistindo clipe a tarde inteira e deixava pra estudar na última hora. 
Saiu ano, entrou ano, em alguns momentos usei roupa velha, de novo, outras vezes cedi à superstição, usei calcinha rosa, usei a mesma calça 3 anos seguidos. Há algumas semanas, comecei a notar os anúncios nas lojas virtuais, nas vitrines dos shoppings, na tentativa de fazer você acreditar que, se você passar a virada de roupa nova, seu ano será melhor. Já me rendi a esta estratégia algumas vezes também. 
Estejamos atentos!
Roupa nova, calcinha nova (preparem-se pra mais um clichê), nada disso vai renovar sua vida, se você não renovar sua mente, sua percepção, seus conceitos. Touché!
E já decidi que roupa vou usar no dia 31: blusa preta (minha mãe não liga mais pra essas coisas e usa o mesmo vestido desde 2009, se eu usar preto, tudo bem), saia rosa, um sapato qualquer. Tudo velho! Significado? Nenhum, só gosto. Quanto à calcinha, havia comprado umas novas e separei uma branca para a noite de amanhã. Muita paz! Porém, me invade a mente mais uma frase clichê, mas que faz muito sentido (você achou que estaria livre dele por agora, não é?), e que diz "a paz é a gente que faz". 
E se eu passar a virada sem calcinha? Perereca arejada o ano inteiro. Será? Uhuuul!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Reformulação

Avisto novos rumos no trabalho como técnica em laboratório de vestuário. Sou muito grata por ter encontrado um cargo na área pública, que tem atribuições mais próximas àquilo que vi na faculdade. Aproveito esta nova fase para reformular, a partir de agora, minha profissão e lanço-me como consultora em referências e ciências do efêmero. Tcharam!! Muitas pessoas já me disseram que seria interessante eu trabalhar como consultora de moda, de estilo, personal stylist, mas eu não quero ser exatamente nenhuma das anteriormente citadas, portanto, criei esta nova definição para ajudar pessoas que estiverem interessadas a se vestirem de acordo com o próprio estilo, sem necessariamente seguir tendências e afins. Achou interessante? Fale comigo! <3

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Referências: domingo ela não vai

Eu já quis ser muitas coisas na vida. Já quis ser dentista, ginasta, dançarina, desenhista, cantora, astronauta, stripper, decoradora de banheiros, professora, dona de casa, estilista, freira, homem. E o que sou hoje? Tudo isso, menos freira, e ginasta também, porque aí seria querer muito, não é verdade? hahaha A verdade é que eu tive muitas influências/referências e sempre fui muito influenciável, tanto de forma negativa quanto positiva, e todas as minhas possíveis escolhas de vida tinham a ver com algum filme que eu vi, alguma música, alguém que eu admirava. Legal! Vamos ao que interessa! Já ouviram a frase que diz que "nada se cria, tudo se copia, né? Eu a escutava muito quando fazia faculdade de moda, porque era muito difícil criar algo totalmente novo. Lembro-me de ter feito um desenho aos 12 anos, que eu achava que era totalmente inédito, e anos depois vi uma produção quase idêntica num desfile da Versace. Doidice! 
Mamãe foi a minha primeira referência suprema no quesito vestimenta. Eu desejei e pedi que ela guardasse tudo (roupas, sapatos e afins) pra mim, inclusive o vestido de noiva, pra eu usar quando crescesse. Ela guardou uma calça. Uma calça! Haha E desde então, a maioria das roupas que eu compro, têm algo a ver com as roupas que minha mãe usava, e, claro, com as que minha prima Kelly usava enquanto morou lá em casa com a gente. Linda!! Mais que uma prima! Não posso me esquecer da Xuxa, claro, rainha da minha infância, e todas as outras que vieram ao longo da minha vida. Sem dúvida, todas essas referências e a minha jornada de autoconhecimento contribuíram para a construção do meu estilo, e para a consequente aceitação e libertação das minhas particularidades.
Estilo! Um conjunto de referências expressando unicidade! Poder usar o que você quiser, independente de estar em voga ou não. Você não PRECISA comprar uma peça florida, uma calça flare, uma peça que tenha a ver com a tendência "boho" ou "gipsy" só porque o mundo inteiro está usando. Você não precisa esperar a estação chegar, a tendência eclodir, a loja lançar pra poder usar aquilo que te agrada, que te faz tão você.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Mission Failed


Bom, já faz 2 anos e algo que eu me propus a não comprar mais roupas, acessórios e afins, a fim de otimizar o uso das peças que já possuo. Eis que, se não me engano, 4 meses depois da oficialização do propósito, eu me rendi aos encantos de um cachecol, depois de um par de botas, e assim fui me perdendo e me corrompendo novamente, Acabei sendo seduzida por produtos que eram a "minha cara", e entre sucessivas TPMs de lascar fui me aliviando como podia, comprando. É claro que algumas aquisições não foram total fruto de compulsão, algumas realmente foram adquiridas para suprir uma necessidade ou substituir outro item velho, rasgado, estragado ou muito "chulezento".
Porém, reconheço que fracassei, me senti como num jogo (tipo GTA), quando você se empenha em cumprir uma missão, mas algo dá errado, você vacila, e perde. Portanto, venho por meio deste registro de fracasso, dizer que pretendo me empenhar novamente a cumprir o mesmo propósito, outrora exposto. Preciso apenas amadurecer algumas ideias pra poder voltar a por em prática a missão. Carregando...

Resiliência

Este termo me foi apresentado pela primeira vez no curso de tecnologia em produtos da moda, na aula de materiais têxteis. A resiliência é uma das várias propriedades das fibras têxteis, e é definida como a capacidade que a fibra tem de voltar a seu estado anterior ao ser submetida a determinada força. Fibras que têm baixa resiliência são fibras que amassam com facilidade, como, por exemplo, o linho. O oposto ocorre com fibras de alta resiliência, como a poliamida.
Deparei-me novamente com o termo, não faz muito tempo, em um livro de autoajuda, aplicado também como conceito psicológico. O conceito, emprestado da física, tem a ver com a capacidade de uma pessoa em superar adversidades. Uma pessoa resiliente é uma pessoa que lida bem com pressões e que não se deixa abater com facilidade, já pessoas "não-resilientes" (não sei se se define assim) não tem a mesma habilidade. 
Mas diferentemente das fibras, uma pessoa pode se "tornar" resiliente, e ainda aumentar o seu grau de resiliência. Mas como? Autoajuda? Talvez. Você sendo seu próprio guia, se questionando, e convivendo com pessoas que te ajudam a entender e superar suas limitações interiores a respeito daquilo que te impede de evoluir. Então você pode se descobrir linho, mas escolher ser poliamida, talvez. Por que não? Será?
Fibras de poliéster têm boa resiliência, porém inferior à da poliamida.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Não só de flores vive a primavera

Setembro, mês da primavera (pelo menos aqui no hemisfério sul)... Mal posso ver quase todas as marcas tentando empurrar, através de suas propagandas, a ideia de que você precisa usar estampas de flores nesta época do ano. Coleções da estação das flores, invadindo a sua caixa de entrada com aquela newsletter que você assinou pra receber novidades todo mês. É claro que essa inclinação parece ocorrer meio que inconscientemente, principalmente no caso das meninas, mas isso não quer dizer que você deve usar roupas floridas, se você não gosta. Parece bobo isso, mas se você prestar atenção quando conversa com alguém sobre estilo, roupas e afins, você acaba ouvindo um: "Nossa! Você viu aquele óculos que estão usando muito agora?! Preciso de um!". Será que precisa mesmo? Se a necessidade não existe, nós a criamos! Não só quando se trata de tendências, claro. Inventamos uma bela frase que acompanhe o nosso relato de imprescindibilidade.

Percebo que muita gente não compra algo porque gosta, porque se sente bem usando, mas porque é tendência, porque está nas revistas, na novela, nos blogs. e acaba não respeitando seu próprio estilo e suas particularidades. Não é questão de ser certo ou errado, mas mais saudável e consciente. Eu, por exemplo, achei linda a cor do esmalte da Giovanna Antonelli, o azul que ela usou na última novela, e comprei. Adoro azul! Tem a ver com o que eu gosto de usar. Alguns devem ter comprado pra não ficar de fora da tendência, outros por outro motivo. Concordo que é difícil resistir às chamadas apelativas do tipo: "O sapato que toda mulher deve ter", "As peças-coringa que toda mulher deve ter no guarda-roupa", e tantas outras, maaaaas a gente sabe que isso é propaganda, e que a função dela é promover ideias pra poder vender mais. A gente sabe que não precisa de tudo isso. Conhecendo a si mesma(o) e seus gostos você descobre seu estilo, então não precisará pular de tendência em tendência. Aprecie as cores da estação, vista-se de flor! Ou não.